01/12/17

Versão beta de plataforma de monitoramento do desmatamento no Noroeste de Mato Grosso estará disponível para consulta pública em 2018

Tela do Observatório Territorial revela mapa elaborado com base em imagens de satélite, atualizadas a cada 12 dias (Foto: ONF Brasil)

Tela do Observatório Territorial revela mapa elaborado com base em imagens de satélite, atualizadas a cada 12 dias (Foto: ONF Brasil)

 

De 8 a 9 de novembro, gestores públicos, professores universitários, operadores técnicos da SEMA e a população em geral tiveram acesso à demonstração prévia da ferramenta durante oficina realizada na Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (SEMA-MT). O evento coletou feedbacks para aperfeiçoar a plataforma, considerando a qualidade das informações geradas, as funcionalidades disponíveis e o desenho do Observatório Territorial. Esse instrumento de web mapping foi previsto desde a criação do projeto PETRA (Plataforma Experimental para gestão dos Territórios Rurais da Amazônia Legal) em 2012, e codesenvolvido durante os anos do projeto, junto com os atores locais do Mato Grosso. O objetivo é acompanhar as dinâmicas territoriais referentes aos usos e formas de ocupação do solo, em especial os processos de desmatamento, apoiar nas decisões de políticas públicas e medir os seus efeitos no território.

A oficina foi dividida em dois momentos: a apresentação da plataforma ao público em geral foi seguida da demonstração da plataforma para a equipe técnica na sala de geoprocessamento da SEMA-MT. A abertura do evento foi conduzida pelo Secretário Adjunto de Gestão Ambiental do Estado de Mato Grosso, Alex Sandro Marega, e pelo Diretor da ONF International, Charles Hullot. Cédric Lardeux (ONF International) e Stéphane Mermoz (Centro de Estudo da Biosfera – Cesbio, Toulouse – França), responsáveis pelo desenvolvimento da metodologia de tratamento das imagens e da plataforma como um todo, palestraram durante a oficina.

Na apresentação, os palestrantes explicaram o funcionamento e a metodologia de tratamento das imagens de radar para gerar a informação do desmatamento. Na sala de geoprocessamento, o grupo navegou no Observatório Territorial e trabalhou com as imagens de Radar do Sentinel1 sobre as quais já tinha recebido capacitação prévia. Os parceiros indicaram sugestões para aprimorar as metodologias de tratamento das imagens.

A plataforma também foi apresentada anteriormente, em 6 de novembro em São Paulo, na reunião anual do Comitê Cientifico e Técnico e do Comitê de Pilotagem do projeto PCFPO (Poço de Carbono Florestal Peugeot-ONF).

A oficina do Observatório Territorial contou com um momento de explicação da metodologia de tratamento das imagens de radar no auditório da SEMA-MT (Foto: ONF Brasil)

A oficina do Observatório Territorial contou com um momento de explicação da metodologia de tratamento das imagens de radar no auditório da SEMA-MT (Foto: ONF Brasil)

 

O Observatório Territorial pretende explorar o potencial do mapeamento a partir de imagens gratuitas e tecnologia open source, como o monitoramento do desmatamento no Noroeste de Mato Grosso (essa foi uma necessidade expressada pelos parceiros e incorporada no desenvolvimento da versão de demonstração). Mas a ferramenta abre muitas outras possibilidades, dependendo dos objetivos aplicados à plataforma: acompanhamento de dados referentes à biodiversidade regional, ao uso das terras, de dados socioeconômicos dos municípios… O desafio atual é estimular os parceiros para que se apropriem da ferramenta como suporte à tomada de decisões sobre as políticas públicas de desenvolvimento sustentável e também para explorar o potencial de comunicação e de oferta de informações socioambientais transparentes.

Dessa maneira, a versao beta da plataforma apresenta, de forma dinâmica, os hotspots de desmatamento da região. As imagens obtidas pelo satélite Sentinel1 são tratadas por metodologia de tratamento automático (desenvolvida pelo Cesbio e pela ONF International), validadas por missões em campo e inseridas no web mapping através da tecnologia livre Lizmap. As imagens são atualizadas a cada 12 dias pelo satélite, permitindo o monitoramento territorial com alta frequência em qualquer época do ano. Como as informações são obtidas por radar, em vez de imagens óticas, as nuvens não impactam na coleta dos dados.

As imagens de satélite Sentinel 1 estarão disponíveis desde setembro de 2016 até, pelo menos, 2030, de forma gratuita. A estratégia torna a metodologia mais barata, permitindo investir o recurso em equipamentos e pessoal qualificado para a análise dos dados. Ainda que o conteúdo seja de acesso livre para todos os interessados, a alimentação das informações será restrita a algumas instituições, como a SEMA, assegurando a manutenção e a credibilidade da plataforma.

 

A partir dessa demonstração, os próximos passos do Observatório Territorial passam pela definição do público-alvo, das funcionalidades e do conteúdo: quais informações precisam ser mostradas, a partir de quais dados e para que finalidade. Dessa maneira, é possível construir uma plataforma útil e funcional, mantida pelos agentes locais do território.

Acesse aqui a apresentação da Stéphane Mermoz e aqui os slides em conjunto do Cédric Lardeux e da Stéphane Mermoz.

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Comentários

  • Durante a reunião de encerramento do PETRA, o comitê gestor afirmou o desejo e a importância de continuar o projeto | ONF Brasil disse: 20 de junho de 2018 às 08:17

    […] O material audiovisual pode se tornar uma ferramenta para atrair novos financiadores para o PETRA (Plataforma Experimental para gestão dos Territórios Rurais da Amazônia Legal). A proposta é coletar depoimento de beneficiários e pessoas envolvidas nas ações, como também registrar informações sobre os produtos criados pela equipe, a exemplo das publicações “Guia de boas práticas para Restauração de APPDs”,  “Flora Arbórea das Matas Ciliares da Fazenda São Nicolau” e do Observatório Territorial. […]

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