03/11/17

Marcação das castanheiras na Fazenda São Nicolau deve ajudar a medir o potencial produtivo local

Castanheira marcada na Fazenda São Nicolau (Foto: Saulo Magnani Thomas/PETRA).

Castanheira marcada na Fazenda São Nicolau (Foto: Saulo Magnani Thomas/PETRA).

O primeiro teste de demarcação aconteceu em 21 e 22 de outubro. A atividade piloto consistiu em fixar plaquetas de identificação e de numeração nas castanheiras que também serão georeferenciadas. Dessa maneira, na época da coleta das castanhas-do-Brasil, os castanheiros anotarão a quantidade de frutos obtidos por árvore ou grupo de árvores. A expectativa é fornecer informações que auxiliem na regularização da atividade de coleta, demanda da Associação de Coletores de Castanha-do-Brasil do PA Juruena (ACCPAJ).

A prática dos extrativistas do PA Juruena é um modelo produtivo sustentável, uma vez que os produtores florestais não madeireiros de uma forma geral dependem da mata em pé e produtiva para a sua sobrevivência. Ou seja, o grupo sabe da importância da conservação ambiental do Noroeste de Mato Grosso para garantir uma fonte de renda complementar na região.

Além dos benefícios socioambientais, a castanha-do-Brasil é o produto florestal não madeireiro com melhor perspectiva de crescimento na região, conforme concluiu o estudo financiado pelo PETRA (Plataforma Experimental para gestão dos Territórios Rurais da Amazônia Legal) e realizado pela Ecotoré Serviços Socioambientais em junho do ano passado. A análise indicou que a cadeia produtiva dessa castanha compreendeu o maior número de organizações empreendedoras, produtos derivados e faturamento da safra de 2015.

Ao longo do tempo e mais intensamente em 2017, houve uma grande dinâmica de estruturação da cadeia da castanha no Mato Grosso. Algumas atividades com essa finalidade foram um seminário realizado em fevereiro em Cotriguaçu com dia de campo na Fazenda e outro em Junho em Juruena. O projeto PETRA, com seus experts e parceiros envolvidos, também participou da elaboração de um programa de extrativismo da castanha para o Estado. O programa facilitará o acesso a financiamentos intermediados pelo Estado para ajudar a implementar o programa de REDD+ jurisdicional, por exemplo.

Durante a demarcação na São Nicolau, um castanheiro da ACCPAJ guiou a expedição pelas trilhas de coleta. No caminho, cada árvore recebeu uma placa numerada e foram medidas a circunferência a altura do peito (CAP), para acompanhar o crescimento da planta. Posteriormente, a equipe da ACCPAJ com acompanhamento da equipe da Fazenda, quantificará a produtividade de frutos obtidos em cada árvore ou moita. Cabe destacar que as castanheiras têm a tendência de se agruparem, misturando os frutos em sua base e, portanto, as moitas também serão identificadas.

(Foto: Saulo Magnani Thomas/PETRA)

(Foto: Saulo Magnani Thomas/PETRA)

As marcações foram incentivadas pela proposta de plano de manejo não madeireiro, elaborada pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente de Mato Grosso (SEMA/MT) de forma participativa com os diferentes atores envolvidos nas atividades extrativistas. O documento aguarda o processo de aprovação pela Secretaria de Estado de Agricultura Familiar e Assuntos Fundiários (Seaf). 

Caso aprovado, o plano de manejo exige um técnico responsável e a elaboração de um projeto. A marcação contribui para os testes sobre os custos envolvidos na atividade e também para estimar o potencial produtivo da área para o documento. Além disso, a prática pode referenciar qualquer tipo de estudo e projeto de pesquisa realizados nas árvores. Dessa maneira, garantem-se a qualidade da informação e a rastreabilidade dos dados colhidos.

O potencial da marcação para estudos científicos pode ser percebido no levantamento da variabilidade e do potencial genético das castanheiras na região, realizado por pesquisadores da Embrapa Agrossilvipastoril em visita à Fazenda no mês de junho. Os dados levantados e analisados pelos pesquisadores poderão ser cruzados futuramente com os dados levantados pelos coletores ao longo das temporadas de colheita.

Recomendados

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Financiadores:
Gestão Administrativa e Financeira:
Implementação: