15/09/17

Criação de cluster de café avança com oficina de boas práticas para cafeicultores

(Foto: Iris Parrot/ ONF Brasil)

(Foto: Iris Parrot/ ONF Brasil)

 

A “Oficina de boas práticas para a produção de café no Projeto de Assentamento (PA) Juruena”, que aconteceu entre 8 e 11 de agosto, integra a agenda do projeto PETRA (Plataforma Experimental para gestão dos Territórios Rurais da Amazônia Legal). O objetivo da atividade, financiada pelo projeto, é estimular a formação de um cluster de café agroflorestal no Noroeste de Mato Grosso. A programação do curso compreendeu palestras e saídas de campo sobre os princípios básicos dos Sistemas Agroflorestais (SAFs), boas práticas e técnicas de manejo para os cafeicultores. Os participantes também visitaram uma área destinada ao plantio do café na Fazenda São Nicolau.

Os SAFs aliam a produção de alimentos para autoconsumo e para geração de renda com a conservação dos recursos naturais e serviços ambientais. No sistema, cada espécie é posicionada no tempo e espaço otimizados para o seu melhor desenvolvimento. O desenvolvimento das plantas é favorecido por cuidados referentes à fertilidade do solo, muitas podas e sombra adequada. O resultado é um fruto diferenciado em relação ao produzido pelo sistema convencional, com melhores concentrações de açucares e o aumento da biodiversidade e da recuperação de áreas degradadas dentro dos lotes familiares.

A produção agroecológica valoriza a adubação orgânica, dispensa a derrubada de árvores, permite diversificação da renda e maior resiliência às mudanças climáticas, ao mesmo tempo em que gera um produto de maior qualidade. Dessa maneira, os SAFs possuem vantagens econômicas, inseridos na economia chamada de baixo carbono, e tem potencial para atrair os produtores rurais.

Através das diversas atividades realizadas na oficina, foi possível observar uma mobilização crescente dos agricultores da região. Eles expressaram interesse no assunto e, aos poucos, surge uma dinâmica de grupo que poderá dar força ao arranjo de um cluster nas próximas etapas. A metodologia apresentada é uma mudança radical de paradigmas em relação ao que os agricultores são acostumados na região: monocultura com grande aporte de insumos comprados (a preço alto), necessidade de irrigação e pouco retorno no mercado de baixa qualidade.

A curiosidade e a vontade de experimentar novas práticas são favorecidas pela facilidade em reunir e produzir a baixo custo os insumos, além de aplicar as práticas propostas na oficina, seguindo os preceitos da agroecologia. Já na próxima safra, os produtores que aplicaram as técnicas descobertas na oficina devem ver um nítido aumento da renda e da produção dos seus cafezais existentes. Gradativamente há a perspectiva de que a qualidade do produto também aumente, com a possibilidade de acesso a mercados diferenciados que remunerem melhor.

Nos próximos meses são previstas outras atividades de controle de praga e adubação orgânicas para o grupo, acompanhadas pela equipe da ONF Brasil. Na Fazenda São Nicolau, foram delimitadas as áreas escolhidas para a implementação de 4 parcelas piloto de plantio de café que serão monitoradas para testar os resultados em função da variação das práticas (mais ou menos sombreamento, por exemplo) e das variedades de café utilizadas.

Na oficina, o parceiro do PETRA, o Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (Idesam), apresentou os resultados do projeto “Café em agroflorestas para fortalecimento de uma economia de baixo carbono em Apuí (AM)”. A situação do desmatamento e a falta de infraestrutura para o pequeno produtor existentes em Apuí é bastante similar àquela do Noroeste de Mato Grosso. Por outro lado, o modelo produtivo do SAF proporciona uma alternativa sustentável e eficiente para os agricultores em uma região em que a cadeia do desmatamento ilegal e da pecuária extensiva tem se afirmado como únicas opções econômicas.

O projeto do Idesam é uma referência para o PETRA na elaboração do arranjo colaborativo para uma produção sustentável do café. O acesso à assistência técnica e aos mercados de compras institucionais, o aumento na renda e a mudança na relação com a terra são alguns dos efeitos da implementação dos SAFs no Amazonas, onde a produção agroecológica já foi consolidada. É importante salientar que o contexto amazônico, e mesmo o brasileiro, é, em sua grande maioria, de floresta e utilizar um sistema produtivo que se harmoniza com esse contexto é benéfico de várias maneiras, inclusive econômica.

*Com informações de Marina Reia e Ramom Morato (Idesam).

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