04/10/17

Catálogo das árvores da Fazenda São Nicolau apresenta informações sobre 50 espécies do Noroeste de Mato Grosso

 

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O levantamento das espécies arbóreas foi realizado nas matas ciliares da Fazenda São Nicolau em Cotriguaçu, MT. Nas imagens uma das matas de igapó bem conservada durante cheia em 2015 (esquerda) e mata ciliar em estágio inicial de regeneração (direita) (Foto: Acervo do Guia – Fazenda São Nicolau)

 

A inspiração para o “Catálogo de espécies arbóreas da Fazenda São Nicolau”, em fase de editoração, surgiu de pesquisa para estudar a vegetação arbórea nas matas ciliares da região Noroeste de Mato Grosso. O objetivo da investigação foi gerar conhecimento e indicar formas de utilização dessas informações em estratégias de restauração florestal, em especial para a recuperação das APPs (Áreas de Proteção Permanente) ciliares do rio Juruena e seus afluentes. O lançamento da publicação, financiada pelo PETRA, está previsto para o final do ano.

Em 2014, quando a pesquisa de inventário florestal se iniciou, a iniciativa recebeu o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (FAPEMAT). A partir dos resultados parciais encorajadores, a ideia do catálogo foi apresentada e, em 2015, obteve o suporte do projeto PETRA (Plataforma Experimental para gestão dos Territórios Rurais da Amazônia Legal) e da ONF Brasil para realização de campanhas de campo para coleta de dados e identificação das espécies. O PETRA também contratou profissionais para possibilitar a confecção do catálogo. Além de um fotógrafo para registrar as espécies, integraram a equipe o engenheiro florestal Abner Lázaro França e a bolsista e estudante da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Dienefe Rafaela Giacoppini.

De acordo com o professor da UFMT Juliano de Paulo dos Santos, que participou da elaboração do catálogo, o conteúdo abrange as características morfológicas e reprodutivas das espécies, as orientações sobre a produção de mudas para o reflorestamento e uma avaliação do potencial de regeneração natural dos ecossistemas.

Dentre as 50 espécies retratadas na publicação, poucas compõem a lista de espécies da flora arbórea ameaçadas, como a Itaúba e o Mogno. Contudo, para se reestabelecerem em regiões anteriormente degradadas, as árvores em questão necessitam da melhoria das condições ambientais. A recuperação é normalmente proporcionada pela inserção das espécies pioneiras, gerando a colonização, o sombreamento e a reestruturação do dossel da floresta. Portanto, grande parte das espécies presentes no catálogo são de pioneiras, que apresentam crescimento rápido e auxiliam no combate do capim, cobertura vegetal que costuma dominar nas Áreas de Preservação Permanentes Degradadas (APPDs) da fazenda.

Entre as árvores pioneiras registradas na publicação, está a Pente-de-macaco (Apeiba tibourbou). A planta, que pode atingir 15 metros de altura, é recomendada para compor plantios de restauração florestal. O interesse pela espécie pode ser explicado pelo seu crescimento rápido (ela pode alcançar quatro metros de altura com dois anos de idade) e por sua ocorrência em solos de baixa fertilidade e textura arenosa. Os frutos da Pente-de-macaco se apresentam como cápsulas verdes antes da maturação, que acontece de setembro a novembro. Já as flores amarelas surgem de janeiro a março.

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A árvore Pente-de-macaco (Apeiba tibourbou) é uma espécie pioneira que figura no catálogo. Na imagem da direita, o fruto da Pente-de-macaco em formato de cápsula e, à esquerda, a fotografia revela a flor amarela da espécie (Acervo do Guia – Fazenda São Nicolau)

 

A expectativa é de que a publicação, a ser disponibilizada no site do PETRA, seja uma ferramenta a mais para o manejo adequado das espécies arbóreas no Noroeste de Mato Grosso. Com a conclusão desse inventário, os pesquisadores acreditam que será possível identificar novas espécies na região e as descobertas poderão ser incluídas em edições futuras do catálogo.

 

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