29/06/17

“Água e Agrotóxicos” foi o tema das atividades de educação ambiental desenvolvidas na Fazenda São Nicolau em 2017

Os participantes das atividades de educação ambiental receberam mudas de árvores como lembrança dos momentos compartilhados na São Nicolau (Foto: Iris Parrot)

Os participantes das atividades de educação ambiental receberam mudas de árvores como lembrança dos momentos compartilhados na São Nicolau (Foto: Iris Parrot)

Durante o evento, realizado de 31 de maio a 13 de junho, o uso de agrotóxicos foi debatido. O agronegócio amplia cada vez mais o desmatamento na região e Mato Grosso se tornou campeão mundial no consumo de agrotóxicos. O Programa de Educação Ambiental (PEA) da ONF Brasil permite encontros anuais entre pesquisadores, engenheiros florestais, pedagogos, arte-educadores e a comunidade local. As ações integram o projeto PETRA (Plataforma Experimental para gestão dos Territórios Rurais da Amazônia Legal) e seu Componente 3: Contribuição para o reforço das capacidades dos agentes econômicos e dos poderes públicos.

Segundo a coordenadora do PEA, Lótus Reuben, “o apoio do PETRA é essencial, pois uma parte do recurso vem desse projeto”. O PEA também recebe o apoio da ONF Brasil e do programa de pesquisa do projeto Poço de Carbono Florestal Peugeot-ONF. As conexões entre as iniciativas são evidentes para Lótus, que lembra que “o PEA tem o papel fundamental de difundir as pesquisas realizadas na Fazenda São Nicolau e as boas práticas para a ocupação dos territórios rurais da Amazônia”. A programação da edição de 2017 compreendeu apresentações participativas, rodas de conversa, trilha sensorial interpretativa, visita à composteira, dinâmica sobre a gestão de recursos, visita ao canteiro agroflorestal e o plantio de árvores frutíferas na roça Agroflorestal da fazenda.

O PEA reuniu aproximadamente 500 participantes em 2017, entre estudantes, professores, coordenadores, diretores, enfermeiros e coletores de castanha-do-Brasil. Ao total, foram sete dias de visitas das escolas da região. Em relação à participação dos professores, Lótus avalia que os educadores “tiveram a oportunidade de refletir sobre o que estão deixando para as próximas gerações e que não existem níveis seguros para a utilização de agrotóxicos”.
Durante o evento, houve a apresentação do espetáculo “A Benzeção da Terra” da Cia Alegrís. A peça foi dirigida pela educadora ambiental Micheli da Silva Sierra, que participa das atividades do PEA desde 2015. O teatro foi um fator de envolvimento da comunidade local durantes as apresentações. Além das apresentações em Cotriguaçu e no PA Juruena, a peça estreou em Juína (MT), atraindo 200 pessoas em uma escola da cidade.

A peça teatral aproxima e envolve crianças e adultos no debate sobre temas ambientais (Foto: Iris Parrot)

A peça teatral aproxima e envolve crianças e adultos no debate sobre temas ambientais (Foto: Iris Parrot)

Segundo Micheli, um passo importante neste ano foi a participação dos funcionários da São Nicolau. Os colaboradores praticaram a poda de árvores frutíferas, visitaram o canteiro agroflorestal (criado em 2013) e discutiram sobre os impactos dos agrotóxicos a partir da exibição do filme “Nuvens de veneno”.

Parceiro relevante da ONF Brasil, a Associação de Coletores e Coletoras de Castanha-do-Brasil do Projeto de Assentamento Juruena (ACCPAJ) foi recebida na fazenda para uma trilha educativa. Durante o percurso, os coletores de castanha aprenderam sobre a utilização do GPS para a mapeamento de árvores com potencial extrativista. Este tempo de aprendizado foi aberto aos familiares dos coletores, que conheceram a sede e tomaram banho de rio.

No final de cada dia, os participantes receberam, como lembrança, mudas de árvores frutíferas produzidas no viveiro municipal. Jovens do Projeto “10 x Amazônia – Reflorestamento Afirmativo”, apoiado pelo Ministério Público, que ajudam na produção das mudas, também vivenciaram as atividades de educação ambiental.

O objetivo do PEA é gerar reflexão sobre os modos de vida que geram impactos positivos no ambiente. Dessa maneira, as ações estimulam que cada participante se sinta parte do meio ambiente e de um sistema inteligente – conhecendo a fauna e flora amazônica e técnicas de plantio sem agrotóxicos e sem o uso do fogo. No final do processo, o PEA pretende despertar nas comunidades a consciência de que vivem na Amazônia, valorizando o saber tradicional dos povos da floresta e trabalhando a cultura do cuidado e da paz.

A equipe multidisciplinar e autogestionada desenvolve uma metodologia fundamentada na Educação e Gestão Democrática de Paulo Freire e na Antroposofia de Rudolf Steiner. Coordenado por Lótus Reuben (pedagoga e agrofloresteira), a equipe do PEA 2017 foi formada por Micheli Sierra (artesã e brincante), Saulo Magnani Thomas (engenheiro florestal) e Veridiana Vieira (coletora de castanha e agricultora).

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